>> gestão – I
As operadoras param de comprar por causa da crise...
Em 2008, Edgar Bortolini se reuniu bastante com Paulo Renato Ketzer de Souza, presidente e fundador da Parks. Na época, Bortolini desenvolvia para a Parks uma área de negócios de equipamentos para telecomunicações sem fio, como redes de terceira geração e redes WiMAX. No entanto, em 11 de outubro de 2008, por complicações após uma cirurgia no coração, Paulo Renato morreu.
Apesar do luto, a Parks precisava seguir em frente. Na semana seguinte, os acionistas, diretores e conselheiros se reuniram para escolher o novo presidente da empresa. Os conselheiros e diretores indicaram alguns nomes — o de Bortolini estava entre eles. Mas a decisão final seria dos 36 acionistas da Parks.
Os acionistas, diretores e conselheiros se reuniram mais algumas vezes para analisar o perfil dos candidatos e os números da Parks: as finanças estavam equilibradas, as vendas iam bem, apesar dos primeiros sinais de crise. No entanto, Paulo Renato era quem direcionava em quais tecnologias a Parks precisava investir para se manter no mercado e eles queriam alguém para assumir essa função.
>> gestão – II
... afetam os negócios da Parks...
Como Bortolini acompanhava Paulo Renato nas conversas sobre tecnologias, ele foi nomeado presidente da empresa em 1º de janeiro de 2009. "Eu precisava continuar o trabalho, mas o Paulo Renato não deixou manual de instruções."
Durante algumas conversas com os funcionários, Bortolini percebeu que, por causa da crise, as operadoras não assinavam contratos com a Parks. "Já dava para saber que a crise teria um impacto significativo sobre o faturamento." No entanto, ele precisava entender melhor como os clientes se comportavam diante da crise. Só assim, ele poderia retomar as vendas.
Os diretores mostraram alguns relatórios do sistema de análise estatística de dados (BI) para Bortolini. Os relatórios o ajudaram a acompanhar a situação dos clientes mês a mês; as operadoras, por exemplo, adiaram muitos projetos para o segundo trimestre. "Como nossos negócios estavam bastante focados em operadoras", diz Bortolini, "se uma delas não comprava, já sentíamos o impacto."
Desde o início de 2008, Paulo Renato já se preocupava em diversificar os negócios. Por isso, ele convidou Bortolini para criar a área de negócios de telecomunicações sem fio da Parks. Como o leilão das frequências de WiMAX não aconteceu, Paulo Renato passou a oferecer os produtos para grandes empresas, utilities e governo. "Os negócios não se desenvolveram por causa do leilão", diz Bortolini, "então desenvolvemos os produtos com outro foco."
>> gestão – III
... e a Parks se divide em três áreas para manter o crescimento.
Como a Parks estava faturando menos por causa da crise, ele decidiu apostar nos planos de Paulo Renato. Fazia sentido dividir a empresa em áreas de negócio diferentes durante o período de crise: se as vendas caíssem numa delas, as vendas das outras compensariam os prejuízos.
Por isso, Bortolini dividiu a Parks em três áreas de negócios: produtos e serviços para operadoras, redes sem fio, e contratos de terceirização para fabricar eletrônicos.
Além disso, ao direcionar uma equipe para cada um dos três segmentos de negócio, Bortolini atende os clientes melhor.
Com fabricantes chineses concorrendo com preços mais baixos, ele decidiu que a equipe precisava acompanhar os projetos de perto. Desde o início de 2009, os engenheiros do centro de pesquisa e desenvolvimento da Parks passaram a especificar os equipamentos para os projetos junto com os clientes que, depois, também acompanham a fabricação. "Os chineses só fabricam em grande escala", diz Bortolini. "Eu quero ser como um alfaiate para os clientes."
Depois de dividir a empresa em três unidades de negócios, Bortolini está mais confiante em relação ao futuro da Parks. Em julho de 2009, ele conseguiu ultrapassar a meta de faturamento do primeiro semestre — para 2009, a meta é crescer 10 a 15%. "Nossa maior vitória foi reduzir o risco de depender das operadoras."