>> tv por assinatura
A comissão de ciência e tecnologia da Câmara dos Deputados aprova o PL 29
xxNa manhã de 2 de dezembro, o deputado federal Eduardo Gomes (PSDB/TO) presidiu mais uma reunião da comissão de ciência, tecnologia, comunicação e informática (CCTCI), na Câmara dos Deputados. Conforme a pauta, os deputados votariam a emenda do deputado Paulo Lustosa (PMDB-CE), que altera o Projeto de Lei 29/2007. Contudo, muitos deputados e associações do setor, como a Ancine e a Abert, ainda esclareciam dúvidas ou discordavam da emenda. “Era para ser uma votação”, diz Eduardo, “e não outra discussão.” Eduardo tentou retomar a votação três vezes, mas não conseguiu. Os deputados estavam dispostos a discutir 103 mudanças no projeto. Por fim, Eduardo suspendeu a reunião.
xxEle deixou os deputados e as associações discutirem a emenda durante a tarde e retomou a votação às 16 horas. Dessa vez, os deputados votaram. Já era noite quando, por unanimidade, eles aprovaram a maior parte da emenda de Paulo Lustosa. “Foi uma conquista”, diz Eduardo, “após três longos anos de espera.”
xxAo final da reunião, depois de ter aprovado o projeto, os deputados lhe entregaram cinco propostas de mudanças ao PL 29; eles queriam mudar as normas pelas quais as empresas de TV por assinatura misturam programas brasileiros e estrangeiros. Como nenhuma delas altera significativamente o PL 29, os deputados da CCTCI votarão essas propostas em separado, numa reunião marcada para hoje, 9.
xxNenhuma dessas propostas impede que as operadoras de telefonia vendam serviços de TV por assinatura, independente de qual tecnologia a ser usada para entregar programas de TV aos clientes. Contudo, até que elas possam entrar nesse mercado, o PL 29 ainda deve seguir uma tramitação no Congresso: duas comissões na Câmara dos Deputados, e depois o Senado. Para Eduardo, o PL 29 só vira lei na metade de 2010.
xxCom a entrada das operadoras de telefonia, diz Eduardo, o número de assinantes de TV por assinatura, que hoje é de 7 milhões, aumentará. “Nos próximos anos”, diz Eduardo, “a infraestrutura para distribuir esses serviços deve aumentar em 25%.”
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
>> intragov
Ninguém vence o pregão e São Paulo vai fazer nova licitação
xxDouglas Viudez, diretor de produção e serviços da empresa de informática do estado de São Paulo (a Prodesp), não conseguiu contratar a nova Intragov, a rede que interliga os órgãos públicos nas 645 cidades do estado. O contrato que a Prodesp tem com a Telefônica vence em 2011 e, para manter o serviço sem interrupção, Douglas precisava contratar o serviço logo.
xxEle conseguiu marcar o pregão para 1° de dezembro, às 9 horas, no auditório da própria Prodesp. O representante da Telefônica entregou uma proposta de preço ao pregoeiro, assim como o da Embratel. Mas o da Embratel não cumpriu o ritual pelo qual a empresa reafirma que sua proposta está de acordo com os termos do edital — e a operadora foi desclassificada.
xxO representante da Telefônica, por sua vez, baixou três vezes o preço inicial da proposta, mas nenhuma delas satisfez o pregoeiro, que decidiu suspender o pregão até sexta-feira, 4.
xxContudo, na sexta-feira, o pregoeiro cancelou o pregão. Ele não aceitou o valor mais baixo oferecido pela Telefônica, de R$ 9,5 milhões por mês, que estava, segundo ele, acima do que o governo pretende pagar.
xxNo edital, a Prodesp exigia uma velocidade máxima maior para a Intragov (de 2,5 Gbps, contra 1 Gbps antes); exigia que a operadora vencedora aceitasse ordens de serviço via portal, assim como colocasse no portal todas as informações sobre a gestão da rede; e exigia ainda que a operadora colocasse, no mínimo, oito engenheiros dentro da Prodesp, além dos sistemas de gestão para que eles visualizassem toda a Intragov e resolvessem os problemas dali mesmo.
xxAgora, como o pregão foi cancelado, Douglas terá de fazer uma nova licitação.
>> não foi desta vez
Lula manda o governo se entender, antes de escolher o Plano Nacional de Banda Larga.
xxO presidente Lula conheceu as propostas para o Plano Nacional de Banda Larga no dia 24 de novembro. A reunião começou às 16h30; estavam presentes, entre outros, o ministro das Comunicações, Hélio Costa; a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff; o ministro da Educação, Fernando Haddad; o do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo; e o da Fazenda, Guido Mantega; além do secretário de logística e TI do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, e o secretário do Ministério de Ciência e Tecnologia, Augusto Gadelha. Hélio Costa entregou ao presidente um documento de 197 páginas encadernadas, em cuja capa se lia Um Plano Nacional para Banda Larga, o Brasil em Alta Velocidade.
xxHélio Costa representa uma linha dentro do governo que defende vários tipos de incentivos, com os quais as operadoras levariam banda larga mais barata a mais lugares. Segundo seu plano, até 2014, o Brasil chegaria aos 30 milhões de acessos fixos de banda larga e aos 60 milhões de acessos móveis. Haveria linhas de crédito do BNDES para as operadoras, assim como recursos do Fust e do Funttel, assim como menos impostos, assim como desconto nas licenças de SCM. O governo gastaria R$ 26 bilhões, e as operadoras, R$ 49 bilhões.
xxHélio Costa deixou o documento, mas saiu antes da reunião terminar.
xxOs outros participantes continuaram até por volta das 18h30. Discutiram vários aspectos; na parte de infraestrutura, Rogério Santanna apresentou um cenário para construir os anéis principais da rede (backbone) e os enlaces para interligar os anéis (backhaul). Ele representa a outra linha dentro do governo, que defende uma rede própria, montada e administrada pelo governo, com a qual o governo levaria banda larga aonde quisesse. O presidente Lula quis saber como as conexões chegariam na casa das pessoas, mas Rogério Santanna não tinha detalhado essa parte, a da última milha.
xxPor fim, Lula mandou todo mundo se entender. “Com operadoras ou sem operadoras”, diz Rogério Santanna, “o presidente quer que o governo tenha uma posição única.”
xxO grupo deve se reunir novamente até 18 de dezembro.
>> saída criativa
A cidade de Taboão da Serra pede R$ 3 milhões ao Minicom. E pode conseguir.
xxDonizetti da Costa, diretor de TI e modernização da prefeitura de Taboão da Serra (SP), há anos trabalha com pouca gente e com nenhum dinheiro próprio — pois a área de TI da prefeitura de Taboão não tem orçamento, nem plano diretor. “A TI sempre foi só uma sala com três pessoas, que mantêm os computadores.”
xxMas, recentemente, Donizetti descobriu o Ministério das Comunicações. Ele pesquisava jeitos de arranjar verba no governo federal, achou que tinha bons projetos, e submeteu alguns deles ao Minicom. Pediu R$ 3 milhões. Dois técnicos do Minicom o visitaram em outubro para vistoriar as instalações e conferir os projetos. “Eles nos deram algumas dicas de como gastar menos.”
xxDonizetti quer usar os R$ 3 milhões para construir um CPD, refazer a rede local da prefeitura e interligar a prefeitura e as secretarias com 3,5 quilômetros de cabos de fibras óticas. Na segunda fase, Donizetti pretende instalar mais 24 quilômetros de cabos para interligar o restante das secretarias e nove enlaces de rádio para conectar escolas e postos de saúde à rede. “Quando a rede estiver pronta”, diz Donizetti, “queremos dar Internet de graça para a população.”
xxSe o Minicom aprovar o projeto ainda em 2009, Donizetti terá verba para os projetos mais importantes de Taboão da Serra já no início de 2010; até ontem, 8, o Minicom ainda não havia aprovado o projeto. Contudo, nos últimos dias de novembro, Donizetti recebeu uma ligação de um gerente da Caixa Econômica Federal (que administra os recursos do Minicom). “Já fui convocado a abrir uma conta-corrente para receber o dinheiro.”
>> mercado - I
A Avaya quer crescer acima do mercado em 2010...
xxNo mercado de telecomunicações, se a empresa estiver no terceiro lugar, ela corre o risco de desaparecer. Por isso, Cleber Morais, o presidente da Avaya no Brasil, se esforça para manter a empresa nas primeiras posições. Garantir a “sustentabilidade da empresa”, diz Cleber, preocupa qualquer presidente.
xxMas a Avaya tem se saído bem, diz Cleber. A Nortel, um dos seus principais concorrentes, pediu concordata em vários países, e a Avaya acabou comprando a divisão de produtos corporativos do concorrente (que incluiu a divisão de produtos para o governo). No Brasil, por causa da crise econômica, vários clientes terceirizaram as operações de informática, telefonia e atendimento ao consumidor; para atendê-los, os datacenters e os call centers compraram máquinas e sistemas da Avaya.
xxA operação no Brasil, diz Cleber, foi a única que se manteve lucrativa durante a crise, não demitiu funcionários nem cortou investimentos. Por conta do bom resultado, Cleber foi convidado, no final de 2008, para participar das reuniões do conselho internacional — foi a primeira vez que um presidente brasileiro participou da reunião e, depois disso, ele já participou de mais duas.
xxEm 2010, ele quer que a Avaya cresça acima do mercado — “dois dígitos”. Para isso, reorganizou os vendedores. Um grupo continua focado nas 200 grandes contas; esse grupo, de 28 pessoas, ganhou mais quatro vendedores. Outro grupo, um novo, com oito vendedores, vai atrás de novos clientes, principalmente de médias empresas.
>> mercado - II
... para isso, vende para médias empresas.
xxEntre outros produtos, eles vão vender o Avaya Aura, um sistema para integrar e gerenciar PABX de diferentes marcas. Com ele, o cliente ainda instala várias funções de telefonia via IP: ligações via Internet, videotelefonia, roteamento de ligações ou de sessões de comunicação com base na presença (para o celular, se o usuário estiver disponível no celular, ou para o Skype, se o usuário estiver viajando, para o Messenger, se o usuário preferir).
xxA Avaya, diz Cleber, vai vender por meio de canais. Hoje, técnicos de 15 canais recebem treinamento para instalar o Aura. E ele quer incentivá-los a construir produtos para os clientes de médio porte, de vários segmentos. Um parceiro, por exemplo, já criou um sistema para o setor da saúde; em breve, a Avaya também terá produto para o setor do governo. “Reforçamos a equipe de Brasília: o escritório tinha quatro pessoas e colocamos mais três.”
xxManter a empresa saudável dá trabalho, diz Cleber, mas ver bons resultados é recompensador.
>> pop-up desbloqueado
Onde eu estava mesmo?
xxQuanto tempo uma pessoa demora para se recuperar de um alarme, ou de uma janela de Internet que pula na frente dela? Até que ponto uma janela de pop-up atrapalha? Dois cientistas da Universidade de Cardiff, Helen Hodgetts e Dylan Jones, organizaram vários testes para medir.
xxEles deram uma tarefa simples, para ser cumprida em sete passos, para centenas de pessoas. Cada pessoa usava o computador para cumprir a tarefa. Uma parte dessas pessoas cumpriu toda a tarefa, ou todos os sete passos, sem interrupção. E uma parte cumpriu a tarefa com uma interrupção aqui e ali — um alarme visual, ou um pop-up. Cada interrupção durava 5 segundos.
xxResultado: quem pôde trabalhar sem interrupções cumpria a tarefa em 10 minutos, mas quem foi interrompido duas vezes cumpria a tarefa em 11 minutos, mais ou menos; ou seja, gastava 50 segundos extras, além da interrupção de 10 segundos, e isso para retomar uma tarefa simples. Helen diz que, logo depois da interrupção, a pessoa precisa achar de novo dois conjuntos importantes de informações: Em que ponto eu estava? O que eu pretendia fazer mesmo a partir desse ponto?
>> promoções
A boa notícia primeiro, a má notícia depois.
xxSe uma empresa perdeu R$ 10 milhões num negócio e ganhou R$ 3 milhões num outro, qual é o melhor jeito de apresentar os resultados para a chefia? Três cientistas pesquisaram isso: como as pessoas preferem receber informações sobre perdas. Peter Jarnebrant, da Escola Europeia de Gestão, e Olivier Toubia e Eric Johnson, da Universidade de Columbia, publicaram seu trabalho em novembro. “Tenho boas notícias. Ganhamos R$ 3 milhões na operação X. Infelizmente, tenho más notícias também. Perdemos R$ 10 milhões na operação Y.” É assim que devemos apresentar os resultados para a chefia, dizem os três cientistas. Nunca com a grande perda primeiro, e o pequeno ganho depois. Menos ainda com resultados totalizados, com as perdas menos os ganhos. “Ao todo, perdemos R$ 7 milhões.”
xxSegundo os cientistas, quanto menor o ganho (R$ 5 milhões, por exemplo), e quanto maior a perda (R$ 100 milhões, por exemplo), mais importante apresentar o ganho primeiro, e a perda depois — especialmente se o interlocutor é avesso a perdas.
xxA pesquisa foi feita com a ajuda da Amazon, a livraria virtual, cujo interesse é saber como apresentar promoções ao internauta. Assim: este livro custa US$ 20, mas, se você comprá-lo agora, ganha US$ 5 de desconto. Mas nunca assim: se você comprar este livro agora, pagará somente US$ 15.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
>> intragov - I
O governo de São Paulo prepara o pregão para a nova rede estadual...
xxO contrato que o estado de São Paulo tem com a Telefônica, pelo qual interliga os órgãos públicos nos 645 municípios do estado, vence em janeiro de 2011. Para manter o serviço sem interrupção, Douglas Viudez, diretor de produção e serviços da empresa de informática do estado, precisa contratar a nova rede logo.
xxA Telefônica fornece a rede desde 2001; se ela ganhar novamente a licitação, só terá de fazer ajustes. Mas, se outra operadora ganhar, a nova operadora terá de instalar equipamentos, conectá-los e testá-los para fazer funcionar os 15 mil circuitos que formam a Intragov — antes que o atual contrato vença. É trabalho para um ano e meio.
xxNo último pregão da Intragov, em 2005, participaram a Telefônica, a Embratel e a Telemar (Oi). Os representantes das operadoras ficaram no auditório da Prodesp por 11 horas, e deram 92 lances. “Era uma ligação para o México e outra para a Espanha”, lembra Douglas. Cada representante demorava uma hora e meia para dar o lance. No fim, o estado fechou um contrato R$ 600 milhões mais barato que o estimado: contratou o serviço por R$ 245 milhões por cinco anos.
xxNo edital do próximo leilão, Douglas pede quase as mesmas coisas do edital anterior. “É uma continuidade do serviço”, ele insiste. De diferente, cita três pontos.
>> intragov - II
... cria um portal para encomendar serviços...
xxUm é aumentar a velocidade máxima da Intragov, de 1 Gbps para 2,5 Gbps. Outro é exigir que as operadoras aceitem ordens de serviço via portal, assim como coloquem no portal todas as informações sobre a gestão da rede. Em 2005, ele já teve essa ideia. Pediu aos técnicos da Telefônica um portal para que os usuários da Intragov pedissem serviços e acompanhassem os pedidos. Os técnicos obedeceram — contudo, se a Telefônica perder o pregão, levará embora o portal e todas as informações contidas nele.
xxDouglas decidiu que é melhor o estado ter seu próprio portal, para ficar com as informações dentro da Prodesp. Os técnicos começaram a desenvolver o portal internamente; e a operadora que ganhar a licitação será obrigada a alimentá-lo com informações.
xxO terceiro ponto é apressar o atendimento. Hoje, quando a Intragov sai do ar, ou quando funciona mal, os clientes e os técnicos da Prodesp ligam para um 0800 destinado ao governo de São Paulo, abrem um chamado e esperam a solução. Mas o processo demora, e a interação é sempre por telefone.
>> intragov - III
... e exige técnicos da operadora dentro da Prodesp.
xxDouglas visitou o Banco do Brasil, em Brasília, e o Pão de Açúcar, em São Paulo, e viu que os executivos de TI dessas empresas resolviam rápido os problemas com a rede, pois mantinham dentro da própria área de TI alguns engenheiros da operadora. O Pão de Açúcar mantinha dois; o Banco do Brasil, uns 100. Esse grupo, ele percebeu, trabalha mais perto do cliente, então conhece melhor a rede e as necessidades, e resolve os problemas mais depressa. Além disso, resolvem os problemas só daquele cliente, e não de todos os que usam a rede da operadora. Ele gostou da ideia e colocou isso no edital.
xxA operadora vencedora terá de colocar, pelo menos, oito engenheiros na Prodesp, além dos sistemas de gestão para eles visualizarem toda a Intragov e resolverem os problemas dali mesmo. “Estamos abrindo um espaço aqui para montar as posições de trabalho.”
xxO pregão da nova Intragov estava marcado para outubro, mas, a pedido da Embratel, da Telefônica e da Intelig, Douglas adiou o pregão para novembro. A alegação é sempre a mesma: a proposta é complexa, requer uma logística complicada, o tempo é curto. “E a gente, para estimular a concorrência, tem dado os prazos.”
xxAgora, o pregão ficou marcado para 1° de dezembro. Douglas não quer adiar mais, ou não dará tempo para trocar os 15 mil circuitos, caso seja necessário. O pregão foi marcado para as 9 horas no auditório da Prodesp — e será gravado. Douglas quer tudo transparente, para evitar reclamações depois.
>> agora talvez vá
Lula recebe as propostas do Plano Nacional de Banda Larga
xxO presidente Lula recebeu ontem, 24, as propostas para o Plano Nacional de Banda Larga. Estavam presentes, entre outros, o ministro das Comunicações, Hélio Costa; o secretário de logística e TI do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna; e o secretário do Ministério de Ciências e Tecnologia, Augusto Gadelha. A reunião durou até de noite.
xxRogério Santanna defende uma linha dentro do governo, na qual a ideia é pôr em uso as fibras óticas apagadas da antiga Eletronet (talvez uns 31 mil quilômetros de fibras) e de outras concessionárias de energia; e reativar a Telebrás para gerenciar essa rede.
xxHélio Costa defende uma outra linha, na qual a ideia é assinar acordos de cooperação com as operadoras de telecomunicações, e por meio desses acordos oferecer planos de banda larga mais baratos para a população sem acesso à banda larga — em troca de menos impostos e de alguns benefícios.
xxEm São Paulo, o governador José Serra assinou o decreto 54.921 para oficializar o programa Banda Larga Popular, no qual o estado abriu mão do ICMS, de 25%, para as operadoras que oferecessem o serviço de conexão à Internet de velocidade entre 200 kbps e 1 Mbps por até R$ 29,80 por mês — com modem, provedor de acesso e instalação grátis. A Telefonica foi a única operadora que assinou o convênio: prometeu vender o serviço a partir de 9 de novembro, mas adiou a estreia. Num comunicado à imprensa, a operadora disse que “prossegue trabalhando para viabilizar, no menor prazo possível, o lançamento do produto”.
>> atrás de dinheiro - I
A prefeitura de Vitória arrecada menos com o ICMS...
xxQuando surgiu a crise econômica em setembro de 2008, Pedro Bolzani, subsecretário de TI da prefeitura de Vitória (ES), ajudou o prefeito (João Carlos Coser) a rever o orçamento recém-escrito. “Tivemos que colocar o pé no freio, porque o estado nos repassou 10% menos ICMS.” Na época, Pedro planejava cinco projetos de TI para 2009, entre eles instalar 60 quilômetros de cabos de fibras óticas (para concluir a rede de dados da prefeitura) e instalar 40 câmeras de segurança e um centro de operações de segurança na cidade. Eram promessas de campanha. Os editais de licitação só ficariam prontos no final de 2009, então Pedro não se preocupou. “O prefeito manteve todos os projetos de TI.”
xxContudo, a prefeitura de Vitória arrecadou ainda menos nos meses seguintes: o ICMS rendeu R$ 27 milhões em julho, R$ 3,5 milhões a menos que em janeiro. Numa nova reunião, o prefeito escolheu só os projetos mais importantes para a prefeitura. No caso da TI, a rede de dados e as câmeras de segurança.
xxOs outros projetos de TI ficaram para 2010: comprar um sistema de backup e um de gestão, aumentar a capacidade do armazém de dados (storage), construir uma sala-cofre para o CPD, atualizar o sistema de mapas digitais (GIS). Pedro pensava em como viabilizar esses projetos, quando se reuniu com funcionários do BNDES para assinar uma papelada; eles iam encerrar um contrato a respeito de verba do Programa de Modernização da Administração Tributária (PMAT). Então, Pedro imaginou uma alternativa.
>> atrás de dinheiro - II
... e recorre ao BNDES para investir em TI em 2010.
xxComo a prefeitura de Vitória já pagou a antiga dívida do PMAT, Pedro poderia submeter outro projeto ao BNDES. “Foi uma coincidência descobrir isso.” Por isso, ele colocou três gerentes para priorizar os projetos de TI. Incluí-los num projeto maior para submeter ao PMAT entrou na lista de prioridades.
xxEm paralelo, Pedro terminou o edital da rede de dados: em 10 de novembro, ele licitou os 60 quilômetros de cabos, o serviço de instalação dos cabos e o serviço de manutenção por dois anos; incluiu nessa licitação rede local para 40 escolas. A 7Lan e a F&S participaram da licitação, mas só a 7Lan se classificou. Como a F&S entrou com recurso, Pedro ainda não pôde abrir as propostas comerciais. Ele pretende pagar R$ 1,42 milhão ou menos pelo projeto. Enquanto isso, os técnicos terminam o edital para comprar as câmeras e o centro de operações de segurança.
xxOs três gerentes também já escolheram quais projetos submeterão ao PMAT. “A maior parte dos recursos será usada para melhorar os serviços de TI.” Na sexta-feira (20), Pedro levou os projetos para a assessoria de captação de recursos da prefeitura; para implementar tudo, ele precisa de R$ 10 milhões.
xxPedro prepara o texto final do projeto, enquanto os assessores reúnem as informações sobre as finanças da prefeitura. Eles submeterão o projeto até o final de 2009; assim, caso o BNDES o aprove, Pedro receberá a verba até março de 2010. “Vamos usar um dinheiro barato para a prefeitura”, diz Pedro. “E a TI terá verba, independente da arrecadação.”
>> crise – I
A prefeitura de Campinas arrecada 10% a menos com impostos e para de comprar...
xxLuis Felizola, diretor de informatização da prefeitura de Campinas (SP), recebeu o programa de governo de Hélio de Oliveira Santos, o prefeito reeleito, em fevereiro de 2009. Ao lado da lista com mais de 200 projetos, Luis rabiscou projetos de TI relacionados. “Criamos um programa de TI.”
xxDurante os meses seguintes, Luis organizou sua equipe e os técnicos da Informática de Municípios Associados (IMA); eles deveriam comprar e instalar novos computadores, implementar uma agenda via Internet de consultas nos postos de saúde (o Siga-Saúde), instalar um sistema de gestão de notas fiscais eletrônicas e também automatizar a cobrança do imposto sobre serviços (ISS).
xxLuis cumpriu o cronograma de projetos até julho, quando a prefeitura arrecadou 10% a menos com impostos por causa da crise. Os reflexos apareceram logo: em vez de receber o 13º salário em julho (como nos últimos dois anos), Luis só vai recebê-lo no final do ano. Além disso, foi avisado de que não poderia mais comprar computadores. “Tudo estava previsto no orçamento, mas o dinheiro não entrou.”
xxSeguindo ordens do prefeito, Luis pararia de comprar equipamentos e software para a área de TI, mas não pararia alguns dos projetos. Ao contrário, deveria entregá-los antes do prazo combinado. Esses projetos ajudariam a prefeitura a arrecadar mais.
>> crise – II
... mas coloca as dívidas dos moradores na Internet e recupera R$ 30 milhões em três meses.
xxEm julho, Luis levou a lista rabiscada para uma reunião com o pessoal da IMA, e apresentou os projetos mais urgentes. Um sistema colocaria na Internet o nome de moradores com dívidas com a prefeitura; outro sistema ajudaria a prefeitura a gerenciar notas fiscais eletrônicas. Luis não tinha gente suficiente para implementar esses projetos urgentes e, em paralelo, concluir os outros que já estavam em andamento. Por isso, pediu mais técnicos ao pessoal da IMA. “Coloquem mais gente para trabalhar”, disse Luis, “senão não teremos como pagar vocês.”
xxCom mais cinco técnicos da IMA, Luis entregou em agosto o sistema de dívidas na Internet, e o prefeito lançou uma campanha para incentivar os moradores de Campinas a pagar as dívidas com a prefeitura. No portal, os moradores veem o valor devido, simulam formas de pagamento, imprimem os boletos. A campanha termina em novembro, mas a prefeitura já recuperou quase R$ 30 milhões até agora.
xxAté dezembro, os técnicos da IMA terminam o sistema de gestão de notas fiscais eletrônicas. Enquanto isso, Luis revisa novamente a lista rabiscada; a prefeitura arrecadará menos e já avisou que o orçamento de TI será 5% menor. “O reflexo da recuperação demorará a vir.”
>> e-varejo
Varejistas online ficam imbatíveis quando vendem produtos de nicho
xxVarejistas online conseguem evitar por completo a competição com os varejistas de rua — aqueles com lojas nas quais o cliente pode entrar e tomar um café, e com funcionários simpáticos com os quais o cliente pode conversar. Basta o varejista online se concentrar em produtos de nicho — ou produtos difíceis de achar.
xxTrês cientistas, liderados por Erik Brynjolfsson, do MIT, estudaram a competição entre varejistas online e varejistas de rua. Os varejistas online se saem pior quando vendem produtos populares, que os clientes acham fácil. E se saem melhor quando vendem produtos difíceis de achar — na verdade, ficam imbatíveis.
xxNuma linguagem mais técnica, diz Brynjolfsson, quanto mais o cliente gasta com a busca do produto, mais a proposta do varejista online lhe parece vantajosa.
>> incentivos fiscais
O governo ganha mais do que todos na Zona Franca de Manaus
xxUm pesquisador da USP, Jorge de Souza Bispo, estudou quanto o governo embolsa com a Zona Franca de Manaus (ZFM), e se surpreendeu: o governo embolsa mais que empregados e que proprietários de empresas, o que é normal; apesar dos incentivos fiscais, contudo, embolsa mais na ZFM do que no resto do Brasil.
xxNa ZFM, as empresas vão atrás de descontos no ICMS, no IPI e no imposto sobre importações. 400 empresas se instalaram na ZFM, mas 70 empresas apenas respondem por 90% do faturamento total da ZFM. Jorge usou informações de vários bancos de dados, tanto do governo quanto de instituições privadas, e comparou os vários dados com um estudo completo de 30 empresas da ZFM e de 30 empresas equivalentes fora da ZFM. “A conclusão foi surpreendente”, diz Jorge. “É um paradoxo a ZFM distribuir mais riquezas para o governo, que deixa de arrecadar dinheiro com as isenções fiscais.”
>> computação paralela
Bull e Petrobras montam o maior computador da América Latina — com 250 teraflops.
xxA Bull vendeu o maior supercomputador da América Latina até agora — por US$ 2 milhões. O comprador é o centro de pesquisas da Petrobras (Cenpes). Alberto Lemos Araújo Filho, presidente da Bull, organiza seu pessoal para que a instalação comece em dezembro.
xxO supercomputador terá 1.100 processadores Intel (para os cálculos) e 120.000 processadores Nvidia (para o tratamento de imagens em três dimensões). O pessoal do Cenpes pretende usar os 250 teraflops do novo supercomputador para criar ambientes de realidade virtual — e simular operações complicadas ou perigosas antes de arriscar equipamentos, consumíveis e gente de verdade.
xx(Se quisesse a loucura de empregar pessoas para calcular num segundo o que esse novo supercomputador calcula, o Cenpes teria de empregar 25 trilhões de pessoas, cada uma delas com uma calculadora comum; teria de esperar a população da Terra crescer 3.600 vezes...)
xxInstalar e fazer a nova máquina funcionar é a parte fácil do projeto, diz Alberto. Logo depois, vem a parte difícil: escrever software para tantos processadores em paralelo. “Toda a programação precisa ser diferente.” Software escrito para computadores comuns não aproveita as características de computadores paralelos. (Assim como, para empregar 25 trilhões de pessoas com sucesso, o Cenpes teria de colocar bilhões de pessoas para organizar as rodadas de cálculos, distribuir contas para cada pessoa e recolher os resultados.)
xxEsse projeto representa o que Alberto espera de seu pessoal em 2010 — gente capaz de fechar negócios difíceis de pôr em prática, mas que, uma vez em prática, deem bons ganhos para a Bull e para o cliente.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
>> retrabalho - I
Rogério Santanna não apresenta plano de banda larga nacional...
xxRogério Santanna, secretário de logística e TI do Ministério do Planejamento, não conseguiu apresentar ao presidente Lula o Plano Nacional de Banda Larga. A reunião foi desmarcada porque, ontem (10), o presidente participou de duas reuniões em São Paulo e depois voltou para Brasília, para lançar o PAC da Habitação e se encontrar com o Ministro da Previdência Social. Rogério e Lula ainda não marcaram a próxima reunião.
xxRogério coordena o grupo de trabalho que estuda a infraestrutura necessária para formar uma nova rede de banda larga. Ele quer montar a nova rede com fibras óticas apagadas da Eletronet e de outros órgãos do governo, e quer entregar a gestão dessa rede à Telebrás — que ainda existe, ao menos no papel. O governo gastaria R$ 1,3 bilhão para ativar a rede principal (backbone). “Hoje o governo já gasta R$ 800 milhões com serviços de telecomunicações.”
xxCom uma rede nacional do governo, Rogério pretende aumentar a concorrência no setor de telecomunicações. Para ele, hoje não existe tanta concorrência assim, pois as grandes operadoras controlam a infraestrutura. Por isso, até São Paulo, “o estado mais rico do país”, teve problemas com o serviço de banda larga.
xxNo entanto, os representantes do Ministério das Comunicações defendem a participação das operadoras no plano de rede nacional: em troca de benefícios fiscais, elas venderiam o serviço de banda larga mais barato.
>> retrabalho - II
... mas escuta os representantes dos estados...
xxOs diretores das empresas estaduais de informática, por meio da sua associação (Abep), tentam há anos criar uma Infovia Nacional, uma rede interligada por onde circulariam informações e serviços de qualquer órgão de governo. Todos os estados já têm sua própria rede, desconectada das outras. Por isso, em dezembro de 2007, eles apresentaram uma proposta para Sérgio Rezende, o ministro da Ciência e Tecnologia — mas a proposta não foi levada à frente.
xxRogério Santanna também não levou à frente a proposta da Abep, nem chamou nenhum associado para participar do grupo de trabalho. “O governo primeiro precisa chegar a um consenso.”
xxNo entanto, em 28 de outubro, os diretores da Abep conseguiram uma reunião com Rogério Santanna. “Com a proposta de usar fibras apagas da Eletronet e de retomar a Telebrás”, diz Paulo Coelho, presidente da empresa de informática do Rio de Janeiro (Proderj) e presidente do conselho de associados da Abep, “a gente convocou uma reunião para mostrar nosso interesse em participar do projeto.
xxPaulo foi ao gabinete de Rogério Santanna, em Brasília, acompanhado por René Lapyda, secretário executivo da Abep e funcionário da empresa de informática de São Paulo (Prodesp), e por Luiz Fernando Caldart, vice-presidente executivo da Abep e presidente da empresa de informática do Mato Grosso (Cepromat).
xxRogério manteve a posição de que primeiro o governo precisa chegar a um consenso, e fez uma promessa: assim que o governo Lula decidir o que quer, Rogério chamará os membros da Abep para ajudar no plano.
>> retrabalho - III
... que apoiam a ideia de usar as fibras da Eletronet.
xxPaulo, por sua vez, colocou as empresas estaduais à disposição. Os estados têm poucas fibras óticas para ajudar na formação da rede, mas os associados da Abep poderiam gerenciar a rede em nome do governo — como alguns estados já fazem com a RNP, a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa.
xxA Abep “vê com bons olhos” o trabalho do Rogério Santanna de usar as fibras apagadas. “É um investimento que já foi feito e precisa ser usado.” Mas, apesar da linha do governo, a Abep quer participar do projeto, e assim reduzir os gastos com telecomunicações e aumentar o cardápio de serviços.
xxNuma conta rápida, ele diz que as empresas associadas à Abep gastam em média R$ 200 mil por mês com telecomunicações. “A condição atual limita os investimentos com governo eletrônico, principalmente para o cidadão que mora mais afastado.”
>> padrão bancário - I
As operadoras aceitam a nova versão de conta eletrônica da Febraban...
xxAntonio Carlos Ferreira, superintendente de sistemas do Itaú, convenceu quase todas as operadoras a usar o novo modelo de conta eletrônica, com o qual o banco pretende receber todas as contas de serviços de telecom. A única exceção é a Oi. “Ela ainda nem começou o projeto.”
xxEm abril de 2009, Antonio e o grupo de estudos da Febraban (formado por representantes do Banco do Brasil, do Bradesco, da Caixa Econômica Federal, do Santander, do Itaú e do Unibanco) apresentaram a nova versão da conta eletrônica, a V3. Ela traz um número para identificar a fatura e o mês referente à conta; informa o endereço de instalação e de cobrança de todos os serviços tarifados; traz o valor total de cada serviço, o valor de multas e descontos; e tem um anexo com as categorias das chamadas.
xxA GVT foi a primeira a começar os testes e a entregar contas com o padrão V3. Depois, foram a Transit e a Hoje Telecom. A Telefônica, a Embratel e outras operadoras, diz Antonio, estão umas mais adiantadas que as outras, mas todas já trocam arquivos com o Itaú e conduzem testes.
xxCom base na experiência até agora, diz Antonio, a V3 deixa os processos mais rápidos, deixa mais fácil acompanhar as despesas e mostrar as informações para os funcionários do banco. Mas ele só saberá se os erros nas contas diminuíram quando as grandes operadoras, como a Telefônica e a Oi, usarem a V3.
>> padrão bancário - II
... só a Oi se atrapalha por causa da fusão com a BrT.
xxQuando a Oi comprou a Brasil Telecom, o atendimento piorou. “Principalmente o da Brasil Telecom”, diz Antonio, “que tinha uma parte de atendimento certinha.” Primeiro, veio uma fase de indefinições; depois, processos que aconteciam de uma forma na Brasil Telecom, aconteciam de outra na Oi. Os gerentes de atendimento falavam: não posso mais fazer isso porque agora é Oi. Com isso, o projeto da V3 atrasou.
xxEm maio, funcionários da Oi chamaram Antonio para uma reunião, explicaram que estavam num processo de fusão, por isso as coisas não aconteciam no ritmo que todos gostariam. Ele perguntou o que faltava para adotar a V3, facilitou uma série de coisas e deu mais dois meses de prazo.
xxDois meses depois, diz Antonio, a Oi mudou toda a equipe. “Os interlocutores com os quais tínhamos contato foram embora.” E ele teve de explicar tudo de novo para os novatos. No dia 20 de setembro, Antonio recebeu a ligação de um novo gerente da Oi: ele se apresentou, pois estava assumindo o atendimento do Itaú. Segundo o novo gerente, o projeto da V3 não tinha sido aprovado e ele teria de apresentá-lo novamente ao comitê.
xxAntonio ameaçou levar à diretoria do Itaú a sugestão de não comprar mais serviços da Oi; lembrou que o Banco do Brasil não pagaria a Oi, pois, no edital do serviço de 0800, o BB tinha exigido a V3. Tudo em vão. Então Antonio acionou a Febraban.
xxNo dia 29 de outubro, o responsável pela comissão de tecnologia e automação bancária, Gustavo Roxo, escreveu uma carta para a operadora, pedindo explicações.
xxAntonio sabe que o Itaú não deixará de abrir agências porque a Oi não usa a V3. Mas entre um fornecedor com a V3 e outro sem, o fornecedor com a V3 leva vantagem. “A gente sabe que é difícil para uma empresa do tamanho deles fazer uma integração, mas é injustificável essa falta de interlocutor.”
>> bancos e operadoras - I
O Itaú desiste da contestação eletrônica com a Telefônica...
xxEstava tudo pronto para Antonio Carlos Ferreira, superintendente de sistemas do Itaú, contestar eletronicamente as contas de serviços da Telefônica — e então a Telefônica colocou um empecilho.
xxQuando o banco acha um erro de conta, quase sempre ele paga o valor total primeiro, e depois põe um funcionário para cobrar o que o banco pagou indevidamente. É e-mail para lá, documento para cá. Em média, o banco reconhece 98% da conta, e contradiz 2%. É injusto deixar de pagar os 100% por causa de 2%, assim como é injusto pagar os 100%. Se a contestação fosse eletrônica, todo processo seria automático: o banco pagaria os 98% e deixaria os 2% para discutir depois, conforme a apuração.
xxEm maio de 2007, Antonio começou um projeto de contestação eletrônica com a Telefônica. Num ambiente de testes, a operadora colocou um código na fatura, que permitiu ao Itaú acessar o sistema de contestação eletrônica. O sistema dispara a reclamação do banco dentro da Telefônica, e avisa as pessoas sobre o provável erro na cobrança. Em novembro de 2008, ele deu o OK para a Telefônica começar os testes no ambiente de produção do Itaú.
xxQuando chegou na hora da instalação, um funcionário da Telefônica lhe disse que a contestação seria eletrônica, mas o Itaú só poderia contestar a conta inteira — mas nunca só uma coisa ou outra. “Eu não entendi nada.”
>> bancos e operadoras - II
... e a Febraban sugere um relacionamento todo eletrônico.
xxAntonio levou o problema para um grupo de estudos da Febraban. Os representantes de outros bancos se interessaram pela história, e sugeriram fazer outras coisas eletronicamente, não só a contestação. Pela proposta, todo relacionamento entre bancos e operadoras deveria ser eletrônico, feito por meio da troca de mensagens ou de arquivos: assim o banco pediria uma nova linha telefônica, mudaria o endereço de cobrança, cancelaria um serviço. “A ideia é essa”, diz Antonio. “Propor padrões e normas para isso acontecer.”
xxAs operadoras teriam de investir em máquinas e sistemas, integrar sistemas e tratar as mensagens. A Telefônica já avisou: teria de gastar uns R$ 600 mil só de hardware — sem contar desenvolvimento de sistemas. Contudo, diz Antonio, com o relacionamento eletrônico, operadoras e bancos apressam as coisas, evitam retrabalho e economizam.
xxNo dia 23 de outubro, o grupo da Febraban apresentou a proposta às operadoras. “A recepção foi positiva.” O próximo passo é marcar reuniões individuais: a Telefônica já marcou; a Oi pediu um projeto detalhado para colocar no orçamento de 2010; as celulares não marcaram nada.
>> internautas novatos
No Amazonas, 80 mil pessoas já usam a Internet sem viajar até Manaus.
xxEm quatro cidades do Amazonas, 80 mil pessoas já acessam a Internet por meio de rádio Wi-Fi, de rádio WiMAX e de conexão via satélite. As quatro cidades estão entre as mais populosas do estado (Itacoatiara, Manacapuru, Tabatinga e Tefé), e por isso foram as primeiras a entrar no programa Amazonas Digital, feito pela Seplan (a secretaria de planejamento) com serviços da Prodam (a empresa de informática) e com serviços e tecnologia da Hughes (fornecedor especializado em comunicações por rádio e comunicações via satélite).
xxMárcio Silva de Lira, chefe de gabinete da Seplan, diz que, nas quatro cidades, as pessoas já fazem mais negócios umas com as outras e, como ficou mais fácil obter informações sobre essas quatro cidades, aumentou a publicidade espontânea (como reportagens de jornal) e o turismo.
xxO programa Amazonas Digital começou no final de 2008, quando Prodam e Hughes assinaram os contratos. A primeira fase termina em dezembro, com 15 cidades no ar: em cada uma delas, Seplan, Prodam e Hughes interligam os órgãos públicos com WiMAX, criam uma área Wi-Fi aberta à população e montam um telecentro com dez computadores. O centro da rede fica em Manaus, no prédio da Prodam. Márcio diz que todas as 61 cidades do Amazonas estarão no programa até outubro de 2012.
xxMárcio e equipe agora medem como os habitantes das quatro cidades usam a Internet. Eles pretendem colocar os serviços mais úteis e populares já na primeira página do Amazonas Digital. “A Internet”, diz Márcio, “pode melhorar os índices socioeconômicos de uma cidade em 50%.”
>> responsabilidade cruzada - I
Para igualar os técnicos do Serpro aos do mercado privado...
xxTécnicos do Serpro constroem sistemas que serão usados por 20 anos. Quando eles vão medir o próprio sucesso, contudo, eles se comparam com os técnicos da iniciativa privada, contratados e pagos de acordo com seus conhecimentos em tecnologias novas. Marcos Mazoni, diretor-presidente do Serpro, se perguntou: como lidar com essas comparações, visto que os salários pagos pela iniciativa privada são mais altos, justamente porque os técnicos da iniciativa privada mexem com sistemas novos?
xxMazoni aumentou os salários, criou um sistema para valorizar tarefas (e não tecnologias), e montou uma grade de cursos para que os técnicos se mantenham atualizados, mesmo os que lidam com tecnologias antigas. Mas tudo isso resolvia só parte do problema.
xxComo os funcionários entram no Serpro por concurso público, Mazoni não sabe se as tarefas são realizadas pela pessoa com o melhor perfil. Ele imagina que, numa empresa com 11.500 funcionários, cada função importante para o Serpro poderia ser cumprida por um doutor naquela função. O desafio, diz Mazoni, é colocar cada funcionário em projetos nos quais eles são especialistas, e dos quais eles gostam.
>> responsabilidade cruzada - II
... Mazoni cria gestão de pessoas inspirada no software livre.
xxPara isso, Mazoni abriu uma espécie de rede social na intranet, onde publica as vagas abertas a cada projeto: funcionários de qualquer área podem se candidatar. Se o comitê de gestão do Serpro aprovar, o candidato fica livre para ocupar a vaga à qual se candidatou — até que o projeto termine.
xxÉ uma forma de gerenciar os conhecimentos de uma empresa como o Serpro, diz Mazoni. “Estamos trazendo a lógica do mundo do software livre, no qual as pessoas cumprem tarefas por prazer.” Alguns projetos já incluem funcionários de outras áreas, mas a movimentação deve aumentar em 2010, porque Mazoni vai a todas as regionais do Serpro para falar sobre o projeto. “Ele altera a hierarquia, pois os chefes não são mais os donos do trabalho.” O Serpro pretende virar uma rede de “responsabilidades cruzadas”.
xxPara uma empresa de 45 anos, diz Mazoni, o Serpro está sendo bem moderno com essa ideia de trabalho cooperado.
>> infraestrutura – I
A Juniper lança um sistema para desenvolver serviços aplicativos para redes...
xxCaio Klein, diretor de tecnologia da Juniper no Brasil, se reúne quase toda semana com o pessoal das operadoras (a maioria fixas) para ouvir as mesmas reclamações. Desde 2005, elas perdem receita com serviços de voz; em 2009, perdem receita com serviços de banda larga também. “Os usuários exigem mais banda por preço cada vez menor.” Por conta disso, a cada semana, Caio e seu pessoal tentam ajudar as operadoras a criar novos serviços, mas sem que a operadora tenha de investir mais na rede.
xxDesde 2008, os engenheiros da Juniper trabalham no Junos Space, um sistema com o qual o pessoal das operadoras poderia criar novos aplicativos e gerenciar o desempenho desses aplicativos e quanta banda eles consomem. “A operadora investe conforme é remunerada.”
>> infraestrutura – II
... e faz parcerias com sete provedores para vender serviços prontos às operadoras.
xxQuando os engenheiros terminaram o Space, este mês, os executivos da Juniper Brasil já entendiam melhor o que as operadoras querem — usar aplicativos prontos em troca de aluguel.
xxEntão, eles propuseram uma parceria aos criadores de aplicativos: eles usam o Space para criar serviços aplicativos, e a Juniper vende os serviços às operadoras — quem sabe, vende também uma máquina nova ou uma ampliação. “Nós”, diz Caio, “vamos colocar operadoras e provedores de conteúdo para discutir numa mesma mesa.”
xxDesde a semana passada, Davi Caproni, diretor comercial para a América Latina e Caribe, já anunciou parcerias com sete provedores de serviços aplicativos. Num deles, o Space ativa, de forma automática, serviços no padrão ethernet.
xxAo mesmo tempo, Caio tenta convencer as operadoras a comprar o Space e a encomendar novos aplicativos; elas terão de rever alguns processos e atualizar a rede. “Vender serviços é diferente de vender conexões.”
>> crise – I
A Samsung precisa vender quatro lotes de computadores...
xxEm junho de 2009, Ricardo Miranda, diretor da divisão de TI da Samsung, participou de uma reunião com Gee-Sung Choi, chairman mundial, que visitava o Brasil. Ricardo explicou ao chefe e à sua comitiva como a Samsung Brasil lançaria notebooks e netbooks no Brasil — pela segunda vez. (Na primeira vez, em 2008, Choi aprovou os planos, mas veio a crise e em seguida Choi cancelou os planos.)
xxRicardo conseguiu autorização para importar quatro lotes de computadores e, se vender o suficiente até março de 2010, Ricardo espera fabricar computadores no Brasil. Ele escolheu três modelos de notebooks e dois de netbooks. Enquanto os primeiros lotes não chegavam, entrou com a papelada para incluir os novos produtos no Processo Produtivo Básico (em troca de isenções fiscais) e se reuniu com outros diretores para planejar as novas linhas de produção. “Vamos importar todas as peças para montar os produtos aqui.” Como não havia mais espaço para mais funcionários e para mais linhas de produção na fábrica de monitores, em Campinas, Ricardo e seus colegas transferiram a fábrica de monitores para Manaus, e abriram espaço em Campinas para a fábrica de computadores.
>> crise – II
... antes de montá-los no Brasil.
xxEm outubro, chegou o primeiro lote, mas Ricardo esperou a primeira semana de novembro para vendê-lo — é mais fácil assim, perto do Natal. “Queremos ser a novidade deste final de ano para os consumidores.” Antes de anunciar os novos produtos, o primeiro lote já estava vendido.
xxRicardo entrega os primeiros computadores aos distribuidores e varejistas nesta semana. “Daqui a cinco anos”, diz Ricardo, “os notebooks e netbooks devem responder por metade do faturamento da Samsung.”
>> fiscalização
Americanos preparam sistema de detecção de fraudes de balanço
xxTodo balanço financeiro parece correto, inclusive o de empresas que falsificam os números. Três cientistas dos Estados Unidos estudaram o balanço de 160 empresas idôneas e de 160 empresas falsárias para distinguir as diferenças entre balanços corretos e fraudados. “Algumas empresas conseguem manipular a contabilidade muito bem”, diz Joe Brazel, professor da Universidade Estadual da Carolina do Norte e um dos coautores do estudo. “Mas nem toda informação dá para esconder.”
xxBrazel e seus colegas descobriram um jeito de entrever fraudes. Eles calcularam as diferenças entre medições do tipo a receita, a dívida, a margem operacional (ou seja, medições financeiras, que vão no balanço) e medições do tipo o número de funcionários, a área em metros quadrados de centros de distribuição, o número de lojas (ou seja, medições não financeiras, que nem sempre vão no balanço). Diversos órgãos de governo coletam as medições não financeiras, e uma empresa só consegue manipular essas medições se subornar muita gente. Poucas conseguem. Por exemplo: nas empresas idôneas, diz Brezel, a receita e o número de funcionários crescem e diminuem mais ou menos juntos — com diferença de 4% no máximo, para mais ou para menos. Nas empresas falsárias, a diferença ficou em 20%.
xxAgora, Brazel monta um portal de alertas na Internet. O sistema do portal vai coletar números de balanços publicados na SEC (a CVM dos Estados Unidos) e números de diversos órgãos do governo americano, vai fazer as contas e vai transmitir alertas quando notar diferenças anormais entre números financeiros e não financeiros. Ao mesmo tempo, Brazel e seus colegas trabalham nas próximas fases da pesquisa — em que vão pedir a ajuda de investidores, auditores e fiscais.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
>> desempenho
Anuário Telecom 2009: o setor cresceu 21,97% em 2008.
xxSegunda-feira, 26, a Plano Editorial lançou o Anuário Telecom 2009, cujos números são de 2008. Alguns números sobre o setor de telecomunicações:
xx● Em dólares, o setor cresceu 21,97%, para chegar ao faturamento líquido de US$ 75,68 bilhões.
xx● As operadoras celulares obtiveram receita líquida de US$ 25,2 bilhões (33,3% do faturamento líquido total do setor); as operadoras fixas, US$ 21,9 bilhões (29%); num distante terceiro lugar, ficam os fabricantes de terminais, com US$ 6,4 bilhões (8,5%).
xx● O maior fabricante instalado no Brasil é a Nokia, com receita líquida de US$ 2,62 bilhões.
xx● A maior operadora é a Oi, com receita líquida de US$ 10,3 bilhões.
xx● A empresa do ano do Anuário Telecom é a Trópico, um fabricante brasileiro de centrais telefônicas digitais, de padrão multimídia IP. A Trópico faturou R$ 214 milhões em 2001 — e só R$ 2,2 milhões em 2002, quando quase desapareceu. Mas, depois de fazer um acordo com o BNDES e com o Funttel, e depois de investir de forma inteligente em pesquisa e desenvolvimento, a Trópico se recuperou: obteve receita líquida de R$ 102,9 milhões em 2008, ou seja, cresceu 135,34% em relação a 2007.
xx● Durante a cerimônia de lançamento do anuário, Raul Del Fiol, o presidente da Trópico, foi aplaudido de pé por minutos.
>> internet popular - I
Serra zera o ICMS para banda larga de 200 kbps a 1 Mbps...
xxO governador de São Paulo, José Serra, chegou ao Futurecom no final da manhã de 15 de outubro, o segundo dia da feira, para fazer um anúncio.
xxSua visita tinha sido anunciada algumas vezes pelo organizador do Futurecom, Laudálio Veiga Filho, durante um painel com presidentes de operadoras e fornecedores. “Ele está vindo de helicóptero”, disse Laudálio da primeira vez. “Ele já saiu do Palácio”, disse da segunda. “Ele chegou”, disse quando todos já podiam ouvir o helicóptero.
xxSerra apareceu acompanhado do secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Machado da Costa, do secretário de Gestão Pública, Sidney Beraldo, de quatro seguranças, e de alguns assessores. Eles anunciaram o que o secretário de Fazenda chamou de “Internet a preço justo”.
xxO Estado de São Paulo abriu mão do ICMS, de 25%, sobre o serviço de conexão à Internet de velocidade entre 200 kbps e 1 Mbps.
>> internet popular - II
... para São Paulo ter banda larga por até R$ 29,80...
xxO governador e cada um dos secretários assinou o decreto 54.921 para oficializar o programa Banda Larga Popular. Depois, Serra subiu ao púlpito, folheou uma apostila, deu bom dia a todos e a todas, agradeceu a Laudálio — pois era o segundo ano do Futurecom em São Paulo. “Bons negócios com a Internet significam mais empresas, mais produção”, disse Serra. “Não tenho dúvida disso.”
xxO Estado de São Paulo, diz Serra, tem 6,95 milhões de casas com computador: dessas, 4,39 milhões têm banda larga; 1,75 milhão usam conexão discada e 690 mil não têm conexão. Os habitantes do estado não contratam banda larga por conta do preço: em média, R$ 50,00 por mês. O objetivo do Banda Larga Popular é beneficiar os moradores dessas 2,442 milhões de casas.
xx“Quando a ideia me foi transmitida pelo Beraldo e pelo Mauro Ricardo”, disse Serra, “eu fiquei pressionando, e pressionei bastante os provedores.” Com isso, o governo e os provedores chegaram a um acordo: o estado zera o ICMS e os provedores tiram R$ 10,00 do preço do serviço.
xxAs operadoras que fizerem parte do programa terão de oferecer a conexão com modem, provedor de acesso e instalação grátis, sem limite de uso, por até R$ 29,80 por mês.
xxPara os serviços modernos de Internet, conexão de 200 kbps é lenta; às vezes, até a conexão de 1 Mbps é lenta. Serra sabe disso, mas, para quem não está conectado, ou para quem se conecta por linha discada, é suficiente.
xxSerra agradeceu a Laudálio pela oportunidade de fazer o anúncio durante o Futurecom; agradeceu à Telefônica, o principal e único parceiro por enquanto; e desceu do púlpito.
>> internet popular - III
... mas só a Telefônica entra no programa.
xxTodas as operadoras podem participar do programa Banda Larga Popular: fixas, móveis, de TV a cabo. Mas só a Telefônica assinou convênio com o estado: passa a vender o serviço em 9 de novembro. “As móveis”, diz Sidney Beraldo, “disseram que precisam investir na rede de banda larga para suportar a demanda antes de assinar o convênio.”
xxO Estado de São Paulo arrecada R$ 534 milhões com o serviço de banda larga. Se apenas as pessoas que não têm conexão contratarem o serviço, o estado não perde nada na arrecadação. Caso as pessoas troquem um plano mais caro pelo plano popular, diz Beraldo, então o estado vai perder.
xxO programa só vale para pessoas físicas — que não precisam comprovar renda para contratar o serviço.
>> boas práticas - I
Técnicos da GVT empurravam as reclamações dos funcionários...
xxQuando Fábio Augusto Koreeda, diretor de infraestrutura de TI, chegou na GVT, os funcionários reclamavam do sistema lento, ou do e-mail com problema, ou da intranet fora do ar. O técnico de infraestrutura checava se os servidores, os equipamentos de rede, o banco de dados estavam funcionando. Se estivessem, ele repassava a reclamação para o pessoal de aplicativos — e esquecia o problema. Muitas vezes, as máquinas estão funcionando, mas, para o usuário, para o que ele precisa, o sistema está lento. O usuário só pararia de reclamar se a informática fosse estável. “Estabilidade”, diz Fábio, “é a soma de máquinas e sistemas funcionando em sincronia.”
xxEle queria que os técnicos parassem de olhar máquinas ou sistemas, e olhassem as necessidades do usuário — os processos de negócio. A tela do CRM abre numa velocidade aceitável? O sistema está lento? Ele começou a mudar a cabeça dos técnicos.
>> boas práticas - II
... então o diretor de infraestrutura adotou a ITIL...
xxFábio contratou uma consultoria, treinou os 140 técnicos de infraestrutura em ITIL, e juntos reviram os processos mais notados pelos usuários: problemas, incidentes, mudanças, acordos sobre a qualidade mínima dos serviços, monitoração, central de serviços e planejamento de capacidade. Para ganhar escala, Fábio instalou duas ferramentas: uma olha os processos do ponto de vista do usuário (e avisa qual componente de TI está atrapalhando o processo) e a outra ajuda a planejar a TI de acordo com crescimento da empresa (para evitar que uma infraestrutura subdimensionada afete os negócios).
xxDepois, a equipe migrou o banco de dados (que não tinha mais suporte do fabricante) para uma versão mais moderna. Só com isso, as telas que abriam em 20 segundos agora abrem em 10 segundos. A equipe também reviu os processos do portal que integra os sistemas corporativos: a tela que antes abria em 155 segundos, depois das melhorias, passou a abrir em 3,5 segundos. O sistema de provisionamento (que entrega os serviços aos clientes) processava 10 mil eventos em cinco minutos, e agora processa 40 mil eventos.
xxAs melhorias na área de infraestrutura foram percebidas pelos usuários: até os engenheiros da área de operações notaram que tinham menos problemas com a informática e se interessaram pela ITIL.
>> boas práticas - III
... e mudou a cabeça dos técnicos.
xxFoi difícil mudar a cabeça dos técnicos de infraestrutura, que por dez anos trabalharam de um jeito. Mas Fábio mostrou que, quando um aplicativo falha, o ciclo de faturamento falha, a GVT não entrega a conta para o cliente, que atrasa o pagamento, e por isso não entra dinheiro na empresa. Hoje, se o aplicativo não está bem, o técnico de infraestrutura não esquece o problema até que tudo esteja funcionando bem. “Isso mostra que as coisas mudaram.”
xxFábio continuará com a revisão de processos. O próximo passo é olhar os processos de configuração, liberação e continuidade dos negócios.
>> de olho no dinheiro
A TIM planeja uma loja de aplicativos
xxRogério Takayanagi, diretor de marketing da TIM, diz que muitos usuários têm smartphone, mas poucos usam os serviços disponíveis para smartphones. Mesmo assim, a TIM vai lançar, no começo de 2010, uma loja virtual, que permite aos usuários baixar aplicativos em Java, Brew, Flash e Android.
xxA TIM pretende ajudar os clientes a se habituar com os recursos do smartphone. “Quanto mais gente estiver baixando aplicativos, usando a Internet móvel”, diz Rogério, “melhor para a indústria como um todo.” Quanto mais clientes de dados, mais a operadora ganha dinheiro.
xxA TIM App Store usa o sistema Plaza Retail, da Qualcomm; e estará disponível para todos os aparelhos da operadora.
>> educação à distância – I
Com PDAs, a JBS passa a atender mais de 500 chamados por dia no help desk...
xxEm janeiro, Jenner Jon Lopes, CIO do Grupo JBS, ouviu explicações sobre a estratégia da JBS do próprio presidente da empresa: a JBS vai comprar mais empresas, atender grandes varejistas, mas vender também para pequenos comerciantes. Para isso, os vendedores iriam para as ruas. Jenner ajustou o sistema de vendas para PDAs. Pela rede 3G, os vendedores acessam promoções, cadastram pedidos, checam o roteiro de visitas. No entanto, a cada mês, a JBS contratava 300 novos vendedores. Em pouco tempo, os 10 técnicos do help desk atendiam 500 ligações por dia. “Dobramos de tamanho em oito meses.”
xxEnquanto os técnicos do help desk tentavam atender os usuários, o restante da equipe recebia os PDAs, instalava o sistema e os enviava para os vendedores. Jenner voltou a se reunir com o presidente em junho. “Para atender esse crescimento”, disse Jenner, “a TI também deve crescer.” Saiu da reunião com dinheiro para contratar 15 técnicos e aumentar os enlaces de rede entre os centros de distribuição e a sede da JBS de 8 Mbps para 16 Mbps. Mas isso não reduziria os chamados.
>> educação à distância – II
... e compra um sistema de educação à distância para treinar os usuários.
xxJenner pensou em educação à distância para ensinar os usuários da JBS a usar todos os sistemas. Assim, os usuários ligariam menos para os técnicos do suporte. “Percebi que sempre investimos em sistemas muito bons, mas treinamos pouco.”
xxO presidente da JBS autorizou esse projeto também e, depois que o conteúdo dos cursos estiver disponível, os usuários acessarão as salas de aula virtuais de qualquer lugar. A equipe de TI saberá quais cursos cada usuário já terminou. “Eu realizaria meu sonho se o técnico acessasse um perfil do usuário no momento da ligação.”
xxSete fornecedores já enviaram informações sobre sistemas de educação à distância para Jenner; ainda em outubro, ele enviará as regras para propostas (RFP) para três deles. “Vamos implementar o sistema ainda este ano.” Se o novo sistema ficar pronto logo, Jenner atenderá melhor todos os usuários da JBS. Assim, caso o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) autorize a fusão com a Bertin, Jenner terá mais tempo para integrar a TI das duas empresas. “Nosso desafio será fazer com que as empresas funcionem como uma só.”
>> bancos
O consórcio Termoeste cobra R$ 880 milhões do Banco do Brasil e da Caixa para construir um novo CPD.
xxEm 16 de outubro, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal anunciaram, por meio do Diário Oficial da União, que o consórcio Termoeste (composto pelas empresas BVA Investimentos, Termoeste e GCE) venceu a licitação para construir um novo CPD (ou datacenter). José Luís Salinas, vice-presidente de TI, logística e suporte operacional do Banco do Brasil, usará 4.200 metros quadrados do novo CPD, enquanto a equipe de TI da Caixa usará mil metros. O contrato é uma parceria público-privada (PPP); o consórcio gastará R$ 880 milhões, pagos pelo Banco do Brasil e pela Caixa ao longo de 15 anos.
xxAlém de construir o CPD e gerenciar a infraestrutura predial (serviços de energia elétrica, água, esgoto e circuito fechado de TV), o consórcio deve gerenciar dois circuitos independentes de fibras óticas para cada banco. O consórcio tem até o final de janeiro de 2010 para começar a construção do CPD, que ficará num terreno do Banco do Brasil, em Brasília (DF). Pelo edital, depois de começar as obras, o consórcio precisa terminá-las em 510 dias.
xxO Banco do Brasil e a Caixa pretendem pagar juntos, no máximo, R$ 3,4 milhões por mês. “Vamos ganhar em escala”, diz Salinas. Sem uma PPP, o Banco do Brasil e a Caixa gastariam mais: ou construiriam um CPD com dinheiro próprio ou contratariam um CPD terceirizado, sendo obrigados a licitar o serviço a cada cinco anos. Recorrendo à PPP, os dois bancos evitam licitar o mesmo serviço a cada cinco anos, e assim evitam o risco de levar todas as máquinas de um CPD a outro. Se o contrato com o consórcio der certo, Salinas só se preocupará em contratar um novo CPD em 2025; ainda assim, ele poderá renovar o contrato com o consórcio por outros 15 anos.
xxQuando o novo CPD estiver pronto, Salinas ajustará o modelo de processamento de dados do Banco do Brasil: vai tirar sistemas menos importantes do mainframe, onde hoje funcionam 70% de todos os sistemas, para organizá-los em servidores diferentes, conforme a importância. Assim, ele investe só o necessário em cada máquina e atende mais rápido as encomendas dos usuários. “Será uma oportunidade para melhorar a infraestrutura de TI do banco.”
xxContudo, o consórcio que perdeu a licitação recorreu na sexta-feira (23), por meio de processo administrativo. Ele é composto por Método Engenharia, Dalkia, MC, Grenit e Comercial de Hardware. O pessoal de Salinas entregou o processo ao consórcio vencedor, que tem cinco dias úteis para se manifestar (interposição). Depois que o consórcio vencedor se manifestar, o comitê de licitação tem cinco dias úteis para estudar o processo administrativo e a interposição. Portanto, o resultado só sai na segunda semana de novembro.
>> gestão
Crimes de colarinho-branco ocorrem num processo de 12 etapas.
xxTrês cientistas estudaram vários crimes de colarinho-branco (inclusive o da WorldCom/MCI, o da Computer Associates e o da Xerox) e conseguiram decompor o processo pelo qual um executivo importante se transforma num criminoso, e prejudica a empresa — esse processo tem 12 etapas.
xxNenhum dos executivos estudados, diz Ruth McKay, professora da Universidade de Carleton e coautora do estudo, entrou na empresa com a intenção de cometer crimes. Ele se transformou num criminoso uma etapa por vez — e outros funcionários da empresa testemunharam o processo inteiro, mas não tiveram a coragem de denunciá-lo depressa.
