quarta-feira, 11 de novembro de 2009

>> retrabalho - I
Rogério Santanna não apresenta plano de banda larga nacional...

xxRogério Santanna, secretário de logística e TI do Ministério do Planejamento, não conseguiu apresentar ao presidente Lula o Plano Nacional de Banda Larga. A reunião foi desmarcada porque, ontem (10), o presidente participou de duas reuniões em São Paulo e depois voltou para Brasília, para lançar o PAC da Habitação e se encontrar com o Ministro da Previdência Social. Rogério e Lula ainda não marcaram a próxima reunião.
xxRogério coordena o grupo de trabalho que estuda a infraestrutura necessária para formar uma nova rede de banda larga. Ele quer montar a nova rede com fibras óticas apagadas da Eletronet e de outros órgãos do governo, e quer entregar a gestão dessa rede à Telebrás — que ainda existe, ao menos no papel. O governo gastaria R$ 1,3 bilhão para ativar a rede principal (backbone). “Hoje o governo já gasta R$ 800 milhões com serviços de telecomunicações.”

xxCom uma rede nacional do governo, Rogério pretende aumentar a concorrência no setor de telecomunicações. Para ele, hoje não existe tanta concorrência assim, pois as grandes operadoras controlam a infraestrutura. Por isso, até São Paulo, “o estado mais rico do país”, teve problemas com o serviço de banda larga.

xxNo entanto, os representantes do Ministério das Comunicações defendem a participação das operadoras no plano de rede nacional: em troca de benefícios fiscais, elas venderiam o serviço de banda larga mais barato.

>> retrabalho - II
... mas escuta os representantes dos estados...

xxOs diretores das empresas estaduais de informática, por meio da sua associação (Abep), tentam há anos criar uma Infovia Nacional, uma rede interligada por onde circulariam informações e serviços de qualquer órgão de governo. Todos os estados já têm sua própria rede, desconectada das outras. Por isso, em dezembro de 2007, eles apresentaram uma proposta para Sérgio Rezende, o ministro da Ciência e Tecnologia — mas a proposta não foi levada à frente.
xxRogério Santanna também não levou à frente a proposta da Abep, nem chamou nenhum associado para participar do grupo de trabalho. “O governo primeiro precisa chegar a um consenso.”
xxNo entanto, em 28 de outubro, os diretores da Abep conseguiram uma reunião com Rogério Santanna. “Com a proposta de usar fibras apagas da Eletronet e de retomar a Telebrás”, diz Paulo Coelho, presidente da empresa de informática do Rio de Janeiro (Proderj) e presidente do conselho de associados da Abep, “a gente convocou uma reunião para mostrar nosso interesse em participar do projeto.
xxPaulo foi ao gabinete de Rogério Santanna, em Brasília, acompanhado por René Lapyda, secretário executivo da Abep e funcionário da empresa de informática de São Paulo (Prodesp), e por Luiz Fernando Caldart, vice-presidente executivo da Abep e presidente da empresa de informática do Mato Grosso (Cepromat).
xxRogério manteve a posição de que primeiro o governo precisa chegar a um consenso, e fez uma promessa: assim que o governo Lula decidir o que quer, Rogério chamará os membros da Abep para ajudar no plano.

>> retrabalho - III
... que apoiam a ideia de usar as fibras da Eletronet.

xxPaulo, por sua vez, colocou as empresas estaduais à disposição. Os estados têm poucas fibras óticas para ajudar na formação da rede, mas os associados da Abep poderiam gerenciar a rede em nome do governo — como alguns estados já fazem com a RNP, a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa.
xxA Abep “vê com bons olhos” o trabalho do Rogério Santanna de usar as fibras apagadas. “É um investimento que já foi feito e precisa ser usado.” Mas, apesar da linha do governo, a Abep quer participar do projeto, e assim reduzir os gastos com telecomunicações e aumentar o cardápio de serviços.
xxNuma conta rápida, ele diz que as empresas associadas à Abep gastam em média R$ 200 mil por mês com telecomunicações. “A condição atual limita os investimentos com governo eletrônico, principalmente para o cidadão que mora mais afastado.”