quarta-feira, 25 de novembro de 2009

>> intragov - I
O governo de São Paulo prepara o pregão para a nova rede estadual...

xxO contrato que o estado de São Paulo tem com a Telefônica, pelo qual interliga os órgãos públicos nos 645 municípios do estado, vence em janeiro de 2011. Para manter o serviço sem interrupção, Douglas Viudez, diretor de produção e serviços da empresa de informática do estado, precisa contratar a nova rede logo.
xxA Telefônica fornece a rede desde 2001; se ela ganhar novamente a licitação, só terá de fazer ajustes. Mas, se outra operadora ganhar, a nova operadora terá de instalar equipamentos, conectá-los e testá-los para fazer funcionar os 15 mil circuitos que formam a Intragov — antes que o atual contrato vença. É trabalho para um ano e meio.
xxNo último pregão da Intragov, em 2005, participaram a Telefônica, a Embratel e a Telemar (Oi). Os representantes das operadoras ficaram no auditório da Prodesp por 11 horas, e deram 92 lances. “Era uma ligação para o México e outra para a Espanha”, lembra Douglas. Cada representante demorava uma hora e meia para dar o lance. No fim, o estado fechou um contrato R$ 600 milhões mais barato que o estimado: contratou o serviço por R$ 245 milhões por cinco anos.
xxNo edital do próximo leilão, Douglas pede quase as mesmas coisas do edital anterior. “É uma continuidade do serviço”, ele insiste. De diferente, cita três pontos.

>> intragov - II
... cria um portal para encomendar serviços...

xxUm é aumentar a velocidade máxima da Intragov, de 1 Gbps para 2,5 Gbps. Outro é exigir que as operadoras aceitem ordens de serviço via portal, assim como coloquem no portal todas as informações sobre a gestão da rede. Em 2005, ele já teve essa ideia. Pediu aos técnicos da Telefônica um portal para que os usuários da Intragov pedissem serviços e acompanhassem os pedidos. Os técnicos obedeceram — contudo, se a Telefônica perder o pregão, levará embora o portal e todas as informações contidas nele.
xxDouglas decidiu que é melhor o estado ter seu próprio portal, para ficar com as informações dentro da Prodesp. Os técnicos começaram a desenvolver o portal internamente; e a operadora que ganhar a licitação será obrigada a alimentá-lo com informações.
xxO terceiro ponto é apressar o atendimento. Hoje, quando a Intragov sai do ar, ou quando funciona mal, os clientes e os técnicos da Prodesp ligam para um 0800 destinado ao governo de São Paulo, abrem um chamado e esperam a solução. Mas o processo demora, e a interação é sempre por telefone.

>> intragov - III
... e exige técnicos da operadora dentro da Prodesp.

xxDouglas visitou o Banco do Brasil, em Brasília, e o Pão de Açúcar, em São Paulo, e viu que os executivos de TI dessas empresas resolviam rápido os problemas com a rede, pois mantinham dentro da própria área de TI alguns engenheiros da operadora. O Pão de Açúcar mantinha dois; o Banco do Brasil, uns 100. Esse grupo, ele percebeu, trabalha mais perto do cliente, então conhece melhor a rede e as necessidades, e resolve os problemas mais depressa. Além disso, resolvem os problemas só daquele cliente, e não de todos os que usam a rede da operadora. Ele gostou da ideia e colocou isso no edital.
xxA operadora vencedora terá de colocar, pelo menos, oito engenheiros na Prodesp, além dos sistemas de gestão para eles visualizarem toda a Intragov e resolverem os problemas dali mesmo. “Estamos abrindo um espaço aqui para montar as posições de trabalho.”
xxO pregão da nova Intragov estava marcado para outubro, mas, a pedido da Embratel, da Telefônica e da Intelig, Douglas adiou o pregão para novembro. A alegação é sempre a mesma: a proposta é complexa, requer uma logística complicada, o tempo é curto. “E a gente, para estimular a concorrência, tem dado os prazos.”
xxAgora, o pregão ficou marcado para 1° de dezembro. Douglas não quer adiar mais, ou não dará tempo para trocar os 15 mil circuitos, caso seja necessário. O pregão foi marcado para as 9 horas no auditório da Prodesp — e será gravado. Douglas quer tudo transparente, para evitar reclamações depois.