quarta-feira, 8 de julho de 2009

>> crise – I
A Votorantim Agronegócios revisa os custos de TI...


Em outubro de 2008, Humberto Takaharu Shida, gerente de TI da Votorantim Agronegócios, se reuniu com os diretores do Grupo Votorantim para definir o orçamento de 2009. Shida não planejava nada grande para 2009, pois, em 2008, ele implementou um sistema de videoconferências, integrou o ERP com um sistema de mapas eletrônicos (GIS), trocou servidores e outros equipamentos. Em 2009, ele precisava fazer com que os funcionários da Agronegócios usassem as funções novas dos sistemas novos; sem isso, a Agronegócios não conseguiria recuperar o dinheiro investido. "O plano era maximizar os investimentos." Mas, na reunião com os diretores, Shida descobriu que teria de reduzir custos em 2009.
A Votorantim Agronegócios gasta 74% dos custos fixos com empresas de serviços terceirizados — como as operadoras de telecom. Shida orientou a equipe de TI a renegociar cada contrato. "Como temos a vantagem de negociar em grupo", diz Shida, "começamos a olhar os principais fornecedores." Além disso, Shida decidiu verificar se todos os usuários dos sistemas corporativos, como o SAP, usavam as licenças; levantou o histórico de todos e discute com os gestores se cada usuário precisa mesmo acessar o sistema. "Antes, nós só desativávamos uma licença quando um usuário era desligado da empresa."


>> crise – II

... e estuda instalar banda larga 3G nas fazendas para gastar menos.


Os usuários estão ajudando a reduzir custos, em reuniões organizadas para discutir determinado processo. Numa dessas reuniões, eles discutiram o processo de produção agrícola, que vai da plantação à colheita de laranjas. A Votorantim Agronegócios possui 12 fazendas, que funcionam todas do mesmo jeito, e são gerenciadas pelos funcionários de três fazendas centrais. Na maioria das fazendas, diz Shida, a infraestrutura de TI é bem simples, porque um ou dois funcionários acessam o sistema somente para entrar com dados como os de produção. Shida mantém um computador conectado ao CPD por meio de um enlace ADSL ou, quando a fazenda fica longe demais, via satélite "Nas fazendas centrais a estrutura é maior", diz Shida. "Mantemos equipamentos mais atualizados e precisamos de um enlace de rede melhor."
Usuários e funcionários da área de TI perceberam que de fazenda central, só uma, bastava. Com isso já reduziram a infraestrutura de TI nas outras duas, e economizaram, inclusive com telecomunicações. O diretor agrícola aprovou a proposta em janeiro de 2009.
Com o aval da área agrícola, Shida e equipe reavaliaram o que instalam em cada fazenda. "Será que todas as fazendas precisam acessar a rede?" Além disso, Shida reviu as tecnologias que usava para conectar as fazendas ao CPD; em localidades distantes, por exemplo, ele poderia trocar os enlaces de rede via satélite por enlaces celulares de terceira geração (3G) "Estamos quebrando paradigmas." Shida já se reuniu com todas as operadoras móveis. Na semana passada, ele terminou de testar os modens e de monitorar o sinal de banda larga 3G de duas operadoras em todas as fazendas.
Quando os testes estiverem tabulados, a equipe de TI vai dizer quais mudanças são viáveis. Shida pretende revisar todo o processo agrícola e implementar as mudanças até setembro. Ao reduzir o número de fazendas centrais, trocar equipamentos e revisar os processos, diz Shida, o custo por laranja deve cair. "A responsabilidade de cada um dentro do processo agrícola vai mudar."