quarta-feira, 10 de junho de 2009

>> gestão
Recém-formados seguem estereótipos e irritam gerentes


Jovens engenheiros, recém-saídos de boas faculdades, trabalham mal em grupo — muitos gerentes reclamam disso. Paul Leonardi, professor da Universidade do Colorado, há uns anos acompanha 130 estudantes de engenharia para responder à pergunta: por que jovens inteligentes, como os estudantes de engenharia, demoram tanto para aprender a trabalhar em grupo?
Leonardi publicou os resultados recentemente. Durante todo o curso de engenharia, diz Leonardi, os estudantes dividem entre si as tarefas atribuídas ao grupo — e trabalham sozinhos, mesmo quando o professor instrui os estudantes a cumprir as tarefas em grupo. Eles também adiam o trabalho o mais que podem, não por preguiça, mas para ver se conseguem resolver o problema em cima da hora. Se o professor distribui instruções sobre como resolver o problema, eles jogam as instruções fora. O legal é resolver o problema sem a ajuda do professor.
Depois de tanto observar, Leonardi montou uma hipótese: assim que entram na faculdade, os calouros adotam a cultura dos veteranos: engenheiro bom é o que resolve problemas em cima da hora, sozinho, e sem seguir as instruções de ninguém. “Na graduação”, diz Leonardi, “existe esse estereótipo: se o sujeito é bom, ele trabalha sozinho. Logo o calouro evita trabalhar em grupo, para não se pôr em desvantagem.”
Só existe um jeito de resolver esse problema, diz Leonardi: as empresas devem se envolver mais com as faculdades, para que os estudantes logo entendam o que significa, de verdade, trabalhar numa empresa.