>> táticas anticrise - III
... e reduz a operação toda em 20%.
Depois de trabalhar dez anos, o pessoal do Eldorado só vendeu para multinacionais estrangeiras. Quase todas investem em P&D por conta da Lei de Informática. Quase todas investem em projetos mais simples, diz Catto, porque acham a legislação brasileira confusa. Se o presidente da multinacional banca um projeto complexo no Brasil, uns anos depois ele talvez seja acusado de sonegação de impostos.Então, agora os vendedores do Eldorado precisam trocar projetos grandes, de um cliente antigo e amigo, por projetos de clientes novos. “O cliente novo ainda não nos conhece”, diz Catto. “Ele sempre começa com projetos menores, para testar.”Os vendedores se saíram bem até agora, pois Catto tem vários projetos para assinar nas próximas semanas. Mas os projetos novos não cobrem o que a Motorola vai desativar. “Eu já começo 2009 com a expectativa de reduzir a folha de pagamento em 20%.”Esse é o segundo pior problema diante de Catto. Ao trocar projetos grandes e complicados por projetos menores e mais simples, e ao demitir pessoal, o Eldorado será obrigado a usar funcionário sênior para tarefas típicas de funcionário júnior. O pessoal sênior talvez se aborreça, procure emprego e peça demissão.O Eldorado vive de propor projetos no tempo certo. Nem antes, quando o cliente investiria à toa (pois a oportunidade se mostra irreal), nem depois, quando os concorrentes do cliente já ocuparam o mercado. Só profissional sênior calcula bem o tempo certo. Para Catto, o principal problema do momento é convencer esse pessoal a esperar, dentro do Eldorado, o fim da crise.