quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

>> táticas anticrise - I
O Instituto Eldorado perde com o principal cliente...

Arthur João Catto lê inglês bem, pois viveu nos Estados Unidos quando fazia o doutorado; hoje, é o superintendente do Instituto de Pesquisas Eldorado, localizado em Campinas, São Paulo. Ele soube da Motorola como os demais executivos do setor. Os computadores da Motorola nos Estados Unidos transmitiram automaticamente avisos para investidores, jornalistas e parceiros.O Eldorado faz dez anos este mês, e foi criado por iniciativa da Motorola. Cresceu ano a ano e, nos últimos anos, entrou numa boa rotina de trabalho, que terminou assim: o Eldorado faz pesquisa e desenvolvimento para 31 clientes, testa 40% de todos os celulares postos à venda no Brasil, capta 5% de tudo o que as empresas gastam com P&D em troca dos incentivos fiscais da Lei de Informática.Todos os contratos com clientes duram 12 meses no máximo. “Todo ano”, diz Catto, “nós começamos tudo de novo, do zero.” Em outubro de 2008, um aviso automático dizia: a Motorola vai demitir 3 mil pessoas no mundo todo. Em janeiro de 2009, outro aviso dizia: a Motorola vai demitir mais 4 mil pessoas, além daquelas 3 mil. Em fevereiro, um outro: a Motorola perdeu US$ 3,6 bilhões só no quarto trimestre de 2008. Até janeiro, 50% de tudo o que o Eldorado faturava vinha da Motorola.Os diretores da Motorola têm de reduzir custos e de reorganizar a empresa. “A Motorola está revendo tudo”, diz Catto; inclusive os contratos com o Eldorado. Catto diz que sua missão se transformou em “reduzir o impacto dessa crise no RH”. Demitir o menor número possível de funcionários, e motivar quem fica.